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Criança Não Mente...

Quantos problemas já foram criados por esta frase “mentirosa”. Sim, podemos dizer, apenas no sentido literal, que criança não mente, mas devemos ter um cuidado muito grande com esta afirmação. A criança não mente, no sentido que o adulto o faz, com perspicácia, até com maldade, pois estes são conceitos que ainda não fazem parte de sua estrutura. Até os seis/sete anos de idade, aproximadamente, a criança ainda não tem adquiridos conceitos de moral, ética, propriedade, sendo portanto natural que utilize suas fantasias como fatos reais. Acreditar que o lobo mau existe e que conversa com a Chapeuzinho Vermelho, que a Alice vive todas aquelas aventuras no País das Maravilhas, ou ainda que alguém apagou a luz do céu, e por isso está noite, são alguns exemplos da fantasia que envolve a criança e não é diferenciada do mundo real. Isto faz parte do seu desenvolvimento, da mesma forma que o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, e os monstros que às vezes inventam de morar no seu quarto. E, como lidar com isso?

Em primeiro lugar, abrindo espaço para toda esta criatividade e fantasia, compreendendo que é natural e gostoso brincar de faz-de-conta, e acreditar que tudo que povoa a mente é real. Assim, é importante ouvir e criar histórias, vestir-se como um super-herói, contar coisas que são difíceis de acreditar, pois gradativamente, e com uma sutil ajuda dos adultos, estas fantasias vão desaparecendo e, somente o mundo real vai permanecer (e para sempre). Ao enfrentar dificuldades, a criança recorre à magia para encontrar suporte e respostas para o que não consegue compreender.

Nossa função, enquanto educadores (pais e professores), é dar a mão, caminhar junto com a criança, mostrando o mundo em toda a sua amplitude, mas devagar, muito devagar, pois só podemos mostrar aquilo que a criança pode enxergar. Devemos estar atentos para que os valores morais e éticos sejam adquiridos e construídos pela criança, com nossos exemplos e nossas atitudes. CRIANÇA NÃO MENTE..

Imaginem quantas confusões já ocorreram por causa desta frase. Bem, muitas vezes nós precisamos ouvir melhor, mais profundamente, o que a criança nos diz, pois assim, ouviremos sua comunicação total, não apenas literal.

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