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SINAIS DE ALERTA!

Quem é especial? Por quê?

“Como perceber se meu filho está se desenvolvendo adequadamente? Quais são os sinais de alerta! que devem me preocupar?”

Qual pai ou mãe nunca se fez perguntas desse tipo, ou mesmo ao seu pediatra? Ou ainda, ficou observando as outras crianças para ver se o seu filho estava se comportando, brincando, agindo, de acordo com o esperado para determinada fase?

A preocupação e o cuidado com o desenvolvimento infantil deve ser uma constante, tanto para os pais, como para os médicos, educadores e todos os envolvidos na vida de uma criança. Ressaltamos que os pais nem sempre se sentem preparados para perceber se tudo está ocorrendo da maneira certa e no momento adequado, uma vez que muitas vezes são pais de “primeira viagem”, não tem crianças na família ou próximas para, mesmo que seja por comparação, perceberem se algo está diferente do esperado para aquela etapa do desenvolvimento. Já os médicos, principalmente os pediatras, como também os educadores de creches e escolas de educação infantil possuem amplo conhecimento sobre as etapas do desenvolvimento infantil em todas as áreas, possibilitando que detectem quando algo não está bem, acendendo o sinal de alerta! Consequentemente, cabe muito menos aos pais do que a nós, profissionais da educação e da saúde, a função de observar atentamente a criança, acompanhar seu desenvolvimento e “ouvir” os pais, suas dúvidas e queixas, separando o que faz parte do desenvolvimento típico daquilo que precisa ser cuidado com maior atenção. Mas, ainda assim, recebemos muitos relatos de pais que, independente de terem sentido que algo não estava bem, buscado ajuda, receberam apenas a orientação: “calma!”, “dê tempo ao tempo”, incitando ao descarte de qualquer preocupação, pois, “algumas crianças demoram mais para desenvolver esta ou aquela habilidade”. Sim, esta é uma grande verdade.

Cada criança tem o seu tempo, uma criança não é igual à outra, mas existem parâmetros que podem nos auxiliar a perceber que existe um sinal de alerta! Então, não podemos simplesmente cruzar os braços e esperar, pois o tempo não para, e precisamos agir contra ele, essa é a maior luta de todos os envolvidos: o diagnóstico precoce.

Para os profissionais da educação e da saúde fica o alerta: olhem tudo, cuidem de tudo, e acendam a luzinha vermelha a qualquer sinal de algo diferente com a criança, ou de um questionamento dos pais. Acompanhem, observem, valorizem, vejam esta criança com outro olhar, com maior assiduidade, controlando mais cada etapa do desenvolvimento. Mantenham-se atentos. Isto fará toda a diferença para o futuro desta criança.

Para os pais, por sua vez, vamos considerar algumas das questões que podem ou que devem chamar atenção.

O que deve chamar atenção? O que é “normal”?

Na primeira infância os principais aspectos a serem observados estão exatamente no cotidiano da criança, como sono, alimentação, interesses, comportamentos, relacionamentos, enfim, a manifestação de que algo não está bem será em alguma(s) desta(s) área(s). Os sinais de alerta! serão claramente observados quando algo estiver fora do esperado para o momento, para a idade ou situação. Ou mesmo, quando algo mudar de repente.

Observe se o sono de seu filho é tranquilo e, se ele dorme a quantidade de horas necessária para sua idade, considerando é claro as diferenças individuais. É muito difícil para adormecer? Acorda muitas vezes durante a noite? Troca o dia pela noite? Modificou algum comportamento em relação ao sono? Muito bem, vamos acompanhar e procurar adequar seu sono para que tenha noites mais tranquilas. Vamos acender o sinal de alerta! se a criança dormir muito pouco, se demonstrar alta irritabilidade para adormecer, necessitar que o adulto permaneça junto durante todo o período de sono, enfim, apresentar um sono muito irregular. Antes de tudo, lembre-se que crianças adoram a cama dos pais, sabem direitinho o que fazer para receber a atenção que desejam (e muitas vezes conseguem), portanto, é fundamental que os adultos sigam uma rotina adequada, reduzam as atividades mais agitadas e excitantes próximo ao horário de dormir, mantenham a criança no seu próprio quarto e sejam firmes ao determinar as regras da casa. O pediatra deverá ser consultado e, se necessário, poderá indicar um neuropediatra para também avaliar e acompanhar a evolução da criança, caso os pais estejam seguros de que estão mantendo tudo como deveria ser e, mesmo assim, a criança não consegue superar as dificuldades em relação ao sono.

Na alimentação, de acordo com as orientações do pediatra, ao introduzir alimentos novos, como é a aceitação? Sua alimentação é muito restrita? A criança é muito seletiva? Procure orientações com o pediatra, a Escola ou ainda uma nutricionista. Lembre-se da importância de uma alimentação balanceada e saudável. É muito importante ampliar as possibilidades da criança, oferecendo alimentos variados, não oferecer substituição caso não queira o alimento oferecido, como também, não permitir que coma fora do horário. Manter a mamadeira somente nos horários em que deve tomar leite, não oferecendo como substituta das refeições, e também saber o momento de dar “tchau” para este adorado objeto (lembre-se da chupeta também). Tem algo muito diferente nesta área? Então: sinal de alerta!

O desenvolvimento motor (sentar, engatinhar, andar, correr, segurar objetos, lançar bola, realizar encaixes, etc) vai se manifestando durante os primeiros anos de vida, e é através do movimento que a criança entrará em contato com o mundo, portanto se perceber dificuldades no desenvolvimento destas habilidades procure ajuda, se informe, busque orientações adequadas.

Seu filho demonstra interesse pelas pessoas? Olha nos olhos? Aceita e/ou manifesta carinho? O bebê sente prazer ao ver/ouvir sua mãe, seu pai, manifestando alegria, esticando os braços pedindo colo, além de gostar de aconchegar-se quando está junto de seus pais. Ao crescer um pouco, entre um e dois anos, gosta de aproximar-se de outras crianças e de adultos de seu convívio? As crianças gostam, via de regra, de interagir com outras crianças, inicialmente observando, imitando o comportamento e as brincadeiras, e depois, a partir dos três anos buscando um relacionamento interpessoal mais rico, com trocas sociais. Esta relação vai-se ampliando, passando por diversos estágios, mas sempre mantendo a socialização como uma importante função do ser humano.

O bebê emite sons desde muito cedo, mas mesmo antes de falar, comunica-se com o outro através de gestos, de seu corpo, de expressões faciais. Antes da linguagem verbal aparecer comunica-se através do choro, do olhar, apontando o que deseja. Quando isto não ocorre, temos um sinal de alerta! Será que esta criança ouve bem? Será que a dificuldade está na linguagem expressiva e/ou na linguagem compreensiva? Muitas vezes os adultos fazem tanto pela criança que ela nem precisa falar para pedir o que deseja, enquanto que em outras situações observamos adultos tão concentrados em suas vidas que não tem muito tempo ou paciência para brincar e estimular a criança. A Escola é sempre um ambiente muito rico, tanto para as interações sociais como para o estimulo ao desenvolvimento. É muito mais estimulante brincar com crianças, conversar com crianças, interagir com crianças. Observe atentamente se o seu filho não olhar em seus olhos, não apontar o que deseja, não procurar comunicar-se de alguma forma. O pediatra poderá ser consultado e, muitas vezes indicar uma fonoaudióloga para avaliar e orientar os pais.

É importante observar comportamentos diferentes dos usuais, como: não brincar com os brinquedos, demonstrar interesses muito restritos, incomodar-se mais do que o esperado com sons corriqueiros, não apresentar noção de perigo ou acentuar medos não reais, realizar movimentos repetitivos com o corpo ou parte dele. O sinal de alerta! também será ligado se a criança apresentar comportamentos de isolamento, falta de contato e interesse pelas pessoas, irritabilidade, choro ou gritos sem motivo aparente.

Mas lembre-se sempre que o sinal de alerta! não é um problema. Muitas vezes é a solução, pois a detecção precoce de qualquer dificuldade possibilitará uma intervenção adequada e, consequentemente, maior possibilidade de minimizar qualquer dificuldade que a criança apresentar.

Então, quem é especial? Por quê?

Especiais somos todos nós porque somos diferentes uns dos outros. É essa maravilhosa diferença que nos torna únicos, como também são únicas nossas crianças. Se soubermos observar, administrar as diferenças poderemos encontrar uma magia em cada ser especial, pois às vezes será em seu olhar, outras em seu sorriso ou sutileza de se comunicar, que vamos descobrindo uma pessoa inteiramente nova e repleta de surpresas.

Perceber dificuldades ou alterações no desenvolvimento permitirá conhecer a criança e oferecer a ela novas possibilidades de identificar-se e entrar em contato com o mundo. Sem medo do desconhecido, com a inigualável coragem de mães e pais, para construir uma historia sem igual, inteiramente inédita, como é a historia de cada um de nós.

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